Comissões de vários países vêm ao Brasil para estudar o eclipse
Cerca de quarenta astrônomos profissionais dos Estados Unidos, França, Ucrânia, Rússia e Geórgia vão se instalar em cinco cidades do sul do país para observar o eclipse solar de novembro. Aqui, o astrônomo Oscar Matsuura, presidente do Comitê Científico do Eclipse 1994, fala da importância do evento para a ciência.
SUPER: Por que os eclipses ainda merecem atenção dos cientistas?
OSCAR MATSUURA: O Sol é a estrela mais próxima e, portanto, a que nos oferece melhores condições de estudar o comportamento das estrelas, em geral. Entre outras coisas, os eclipses são uma boa oportunidade de se aprofundar o conhecimento sobre a coroa solar e aperfeiçoar os métodos de observação. São também a forma mais econômica de se fazer pesquisa: não exigem nenhum equipamento muito sofisticado.
SUPER: O que há ainda para estudar na coroa solar?
O.M.: Existem ainda muitos mistérios como, por exemplo, a tempera-tura da coroa solar, que é cerca de 2 milhões de graus mais elevada do que a própria superfície do Sol, de onde ela se origina. A coroa é um halo de plasma que circunda o Sol, composto por uma espécie de gás rarefeito formado de elétrons livres e de átomos que perderam elétrons, chamados íons positivos. Sabe-se que esse superaquecimento é causado por um campo magnético muito forte, que funciona como um transmissor de energia. Mas não conhecemos detalhes desse processo físico. Queremos entender também como ocorrem as ejeções coronais, quer dizer, como o Sol lança para o espaço a imensa quantidade de matéria e energia com uma aceleração espantosa. Esse tipo de descoberta pode ter aplicações muito importantes, como o desenvolvimento de novos mecanimos de propulsão de foguetes, mais poderosos.
Reportagem colhida da revista SUPER INTERESSANTE