Lendas lunáticas
Mesmo na era espacial há quem acredite que a Lua exerça poderosa influência sobre plantas, animais e seres humanos. Essa lenda provavelmente começou quando o homem pré-histórico imaginou que a sucessão das quatro fases da Lua - nova, crescente, cheia e minguante - era um ato de vontade daquele corpo celeste, o único por sinal a não mostrar sempre a mesma imagem. Tratada como divindade, a Lua regeria a flutuação dos humores e emoções das pessoas. Sobreviveu até os dias de hoje, devidamente reforçada pela Astrologia, a crendice de que ela afeta o sistema nervoso, fertilidade e até a saúde dos cabelos.
Durante a Lua cheia, que por coincidência também é a preferida dos lobisomens e mulas-sem-cabeça, aumentam os casos de loucura e os crimes passionais, as clínicas psiquiátricas recebem mais pacientes e nas maternidades cresce o número de partos. “Tudo bobagem”, afirma o neurologista José Levy, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Não há qualquer estatística que comprove alteração do número de partos em qualquer fase da Lua”, garante por sua vez o presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia, Thomas Gollop. E, para decepção dos que se preocupam com o viço dos cabelos, o dermatologista Mário Grimblat comunica: “Não faz a menor diferença a lua em que se corta o cabelo”.
Reportagem colhida na revista SUPER INTERESSANTE