O projeto internacional ITER concluiu a instalação do sexto módulo do tokamak — o coração do reator — quase seis meses antes do previsto, consolidando um dos maiores avanços recentes na construção do experimento de fusão nuclear mais ambicioso da história.
Localizado no sul da França, o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor) é um esforço conjunto de 35 países para demonstrar, pela primeira vez, a viabilidade da fusão nuclear como fonte de energia limpa, abundante e livre de carbono. O reator, quando concluído, deverá operar com 500 MW de potência de fusão a partir de apenas 50 MW de aquecimento do plasma — uma meta científica sem precedentes.
O tokamak do ITER é formado por nove setores gigantes de aço, cada um com mais de 14 metros de altura e 440 toneladas. Esses setores compõem a câmara de vácuo onde o plasma superaquecido será confinado por campos magnéticos intensos. Segundo o ITER, o módulo recém-instalado — identificado como setor #1 — foi transferido da Assembly Hall para o poço do tokamak em uma operação de 30 horas que mobilizou mais de 100 especialistas.
Com o novo módulo, dois terços do núcleo toroidal já estão posicionados. A instalação dos três setores restantes está prevista para ser concluída até meados de 2027, permitindo que a equipe avance para a fase de união estrutural dos setores e integração dos componentes internos, como o blanket e o divertor.
De acordo com o diretor-geral do ITER, Pietro Barabaschi, cada etapa de montagem tem sido mais eficiente que a anterior. Ele afirma que as lições aprendidas ao longo das operações permitiram “maior coordenação, previsibilidade e ritmo acelerado”, reforçando que o projeto segue dentro do cronograma revisado.
A construção do ITER começou em 2010 e envolve uma divisão internacional de responsabilidades: a Europa fabrica cinco setores da câmara de vácuo, enquanto a Coreia do Sul produz quatro. O projeto já passou por revisões de cronograma, e a fase inicial de operação científica está agora prevista para 2035, com fusão de deutério-deutério, seguida pela operação completa com deutério-trítio.
Embora o ITER não tenha como objetivo gerar eletricidade, ele é considerado o passo mais importante rumo a futuros reatores comerciais de fusão, capazes de fornecer energia limpa em escala global.
Fonte: World Nuclear News – “In pictures: ITER tokamak core assembly progressing”