FisicaNet - Prof. Alberto Ricardo Prass

Pesquisadores da East China Normal University realizaram, pela primeira vez, o teletransporte quântico de uma imagem completa através de 100 canais simultâneos, estabelecendo um novo recorde mundial e abrindo caminho para redes quânticas de alta capacidade.

Teletransporte quântico em 100 canais
Representação conceitual da matriz de 100 canais quânticos usada para teletransportar uma imagem.

Resumo

Uma equipe da East China Normal University demonstrou o teletransporte quântico de uma imagem codificada em 100 modos ópticos simultâneos, organizados em uma matriz de 10 × 10 pixels. O experimento, publicado na revista Physical Review Letters, estabelece um novo recorde de canais de teletransporte quântico e inaugura uma arquitetura escalável para comunicação quântica de alta capacidade.

O que foi teletransportado?

Em vez de um único estado quântico, os pesquisadores teletransportaram uma imagem composta por 100 pixels, cada um representando um canal quântico independente. Esses canais foram implementados como modos espaciais distintos de um feixe de luz, permitindo que a informação fosse transmitida em paralelo.

A imagem foi reconstruída no receptor com fidelidade superior ao limite clássico, confirmando que o processo envolveu teletransporte quântico genuíno, e não apenas transmissão óptica convencional.

Como o experimento foi realizado?

A equipe utilizou engenharia holográfica programável para moldar o perfil transversal de um feixe de laser em uma matriz de 100 modos ópticos. Um algoritmo semelhante ao Gerchberg–Saxton permitiu controlar individualmente cada canal, definindo a estrutura espacial da imagem quântica.

Em seguida, esses modos foram acoplados a recursos de luz entrelaçada, formando 100 canais quânticos paralelos. O teletransporte foi implementado por meio de um esquema de feedforward totalmente óptico, sem medições destrutivas, o que preserva a coerência quântica e facilita a escalabilidade.

No receptor, os 100 canais foram recombinados simultaneamente, reconstruindo a imagem com alta fidelidade.

O que é teletransporte quântico?

Teletransporte quântico não envolve o transporte físico de objetos, mas sim a transferência de estados quânticos entre dois sistemas. O processo combina entrelaçamento quântico, comunicação clássica e operações locais para reproduzir o estado original em outro lugar, destruindo-o na origem.

Esse mecanismo é fundamental para a futura internet quântica, pois permite transmitir informação quântica de forma segura, sem que o estado possa ser copiado ou interceptado sem ser detectado.

Por que 100 canais são um marco?

Até recentemente, o teletransporte quântico era demonstrado em um único canal ou em poucos canais multiplexados. A realização de 100 canais simultâneos representa um salto de ordem de grandeza na capacidade de transmissão.

Cada canal exige um recurso de entrelaçamento, estabilidade óptica e controle preciso. Multiplicar isso por 100 é um desafio técnico enorme. A arquitetura proposta pela equipe chinesa mostra que é possível escalar o teletransporte quântico para dezenas ou centenas de modos sem multiplicar proporcionalmente a complexidade de detecção.

Aplicações futuras

A técnica abre caminho para redes quânticas de alta largura de banda, capazes de transmitir grandes quantidades de informação quântica em paralelo. Em princípio, lasers mais potentes e óptica mais avançada podem aumentar ainda mais o número de canais.

Além da comunicação, o método pode ser aplicado em processamento quântico de imagens, metrologia quântica e interfaces entre memórias quânticas e canais ópticos, aproximando a física quântica de aplicações tecnológicas concretas.

Referências Bibliográficas

Lou, Y., Wang, J., Zou, Y., Hou, L., Liu, S., & Jing, J. (2026). Hundred-channel reconfigurable quantum teleportation. Physical Review Letters, 137(8), 080801.

ScienceAlert. (2026). Breakthrough: Scientists Just Teleported an Image Across 100 Quantum Channels at Once.

NewsBytes. (2026). Chinese team teleports quantum-encoded image through 100 channels.