A Paraíba está prestes a entrar para a história da tecnologia na América Latina. Até outubro de 2026, o estado concluirá a montagem dos primeiros computadores quânticos do continente, que serão instalados no recém-criado Centro de Computação Quântica da Paraíba (Ciquanta), localizado na Estação das Artes, em João Pessoa.
Com investimento inicial de R$ 150 milhões, o projeto promete impulsionar pesquisas avançadas em áreas como inteligência artificial, segurança cibernética, logística, finanças e desenvolvimento de novos medicamentos. A iniciativa coloca o Brasil em posição estratégica na corrida global pela computação quântica.
Os computadores quânticos — de 20 e 100 qubits — exigem condições extremamente específicas para funcionar. O chip opera a 10 mili kelvin, temperatura próxima ao zero absoluto (-273 °C). Para atingir esse nível, será utilizado um sistema fechado com hélio-3 e hélio-4, além de refrigeração autônoma e redundância para garantir operação contínua.
A Estação das Artes está passando por adaptações estruturais:
As primeiras peças chegam em agosto, e técnicos paraibanos já receberam treinamento especializado na China, em parceria com a empresa CETC, responsável pela transferência tecnológica.
O acesso inicial aos computadores será destinado a pesquisadores da UFPB, UFCG, IFPB e colaboradores externos, como o professor Amir Aldas Caldeira (Unicamp), que liderará cientificamente o projeto.
Além de operar os equipamentos, o Ciquanta terá papel fundamental na formação de profissionais altamente qualificados, atração de startups e desenvolvimento de soluções inovadoras para diversos setores da economia.
O centro contará com um espaço de visitação, incluindo uma réplica funcional de um computador quântico, permitindo que a população conheça de perto essa tecnologia revolucionária. A proposta é aproximar a sociedade da ciência e mostrar aplicações práticas da computação quântica no cotidiano.
Com o Ciquanta, a Paraíba assume protagonismo na corrida mundial pela computação quântica. A iniciativa não apenas coloca o Brasil entre os países que desenvolvem essa tecnologia, mas também abre caminho para que futuros equipamentos sejam produzidos localmente, fortalecendo a soberania científica e tecnológica nacional.
Fonte: G1
A implementação dos computadores quânticos no Centro de Computação Quântica da Paraíba (Ciquanta) representa um marco tecnológico que exige uma infraestrutura altamente especializada. Esses sistemas utilizam processadores baseados em qubits supercondutores, cuja operação depende de fenômenos quânticos como superposição e emaranhamento — propriedades que só se manifestam de forma estável em condições físicas extremamente controladas.
Os equipamentos instalados possuem 20 e 100 qubits, construídos a partir de circuitos supercondutores que funcionam como os elementos fundamentais de processamento. Diferentemente dos bits clássicos, que assumem valores binários, os qubits operam em estados probabilísticos, permitindo que múltiplas operações sejam realizadas simultaneamente.
Essa arquitetura possibilita aceleração exponencial em algoritmos de otimização e simulação molecular, modelagem de sistemas complexos como redes logísticas e estruturas químicas, e execução de algoritmos quânticos como QAOA, VQE e Grover, essenciais para aplicações industriais e científicas.
Para operar corretamente, os chips quânticos devem ser mantidos a aproximadamente 10 mili kelvin, temperatura próxima ao zero absoluto. Essa faixa térmica é necessária para preservar a coerência quântica e evitar ruído térmico que comprometeria os estados dos qubits.
O sistema criogênico utiliza mistura de hélio-3 e hélio-4, responsável pelo processo de diluição que atinge temperaturas ultrabaixas, câmaras de isolamento térmico com múltiplas camadas de blindagem, refrigeração redundante para garantir operação contínua mesmo em caso de falha parcial e monitoramento ativo de vibração e interferência eletromagnética, fatores que podem causar decoerência.
A Estação das Artes foi adaptada para atender às exigências de instalação dos computadores quânticos. Entre os requisitos técnicos estão pé-direito mínimo de 6 metros, necessário para acomodar o refrigerador de diluição e seus subsistemas, blindagem eletromagnética que reduz interferências externas e protege os qubits de ruído ambiental, gabinetes de controle onde ficam os módulos de eletrônica de micro-ondas responsáveis por manipular e ler os estados quânticos, e ambiente com controle de vibração, essencial para evitar perturbações mecânicas no sistema criogênico.
A operação dos qubits depende de um conjunto complexo de eletrônica de micro-ondas: geradores de pulsos de radiofrequência, que manipulam os estados quânticos; amplificadores de ruído ultrabaixo, utilizados para leitura dos qubits; controladores FPGA, responsáveis pela execução dos algoritmos quânticos e sincronização dos sinais; e sistemas de calibração automática, que ajustam parâmetros como frequência de ressonância e tempos de coerência.
O projeto inclui transferência de tecnologia em três áreas críticas: criogenia avançada, sensores quânticos e eletrônica de micro-ondas, e sistema operacional quântico e ferramentas de programação. A equipe paraibana recebeu treinamento especializado para montagem e operação dos equipamentos, permitindo que futuras gerações de computadores quânticos sejam desenvolvidas localmente.
Com acesso inicial para pesquisadores da UFPB, UFCG, IFPB e colaboradores externos, o Ciquanta permitirá avanços em simulação de materiais e moléculas para indústria farmacêutica, otimização de rotas e cadeias logísticas em larga escala, modelagem de sistemas financeiros com variáveis altamente correlacionadas e desenvolvimento de novos algoritmos quânticos adaptados ao hardware nacional.
Acesse o site oficial do CIQUANTA: