Prof. Alberto Ricardo Präss
A luz é uma forma de radiação eletromagnética capaz de transportar energia através do espaço, mesmo na ausência de um meio material. Ela é responsável pela visão, possibilita o desenvolvimento de inúmeras tecnologias e desempenha um papel fundamental na compreensão do Universo.
Embora pareça um fenômeno simples do cotidiano, a verdadeira natureza da luz intrigou filósofos e cientistas durante milhares de anos. A resposta para a pergunta "O que é a luz?" mudou diversas vezes ao longo da história, acompanhando a evolução da própria Física.
Hoje sabemos que a luz apresenta uma característica única: em determinadas situações comporta-se como uma onda eletromagnética e, em outras, como um conjunto de partículas denominadas fótons. Esse comportamento recebe o nome de dualidade onda-partícula e constitui um dos pilares da Física Moderna.
Antes de chegar a essa conclusão, diversas teorias foram propostas para explicar os fenômenos luminosos.
No século XVII, o físico inglês Isaac Newton (1642–1727) apresentou uma teoria segundo a qual a luz seria constituída por pequenas partículas emitidas pelas fontes luminosas.
Segundo esse modelo, essas partículas propagavam-se em linha reta e, ao atingirem nossos olhos, produziam a sensação da visão.
A teoria corpuscular explicava satisfatoriamente diversos fenômenos conhecidos na época, entre eles:
Além disso, Newton realizou um dos experimentos mais importantes da história da Física ao demonstrar que a luz branca pode ser decomposta em diversas cores quando atravessa um prisma de vidro.
Esse fenômeno recebe o nome de dispersão da luz e mostrou que a luz branca é, na realidade, uma combinação de diferentes comprimentos de onda correspondentes às cores do espectro visível.
Apesar de seu enorme sucesso, a teoria corpuscular não conseguia explicar alguns fenômenos que seriam descobertos posteriormente.
Quase ao mesmo tempo em que Newton desenvolvia sua teoria, o físico holandês Christiaan Huygens (1629–1695) propôs uma interpretação completamente diferente.
Segundo Huygens, a luz era uma onda.
Sua teoria explicava naturalmente os fenômenos da reflexão e da refração por meio da propagação das frentes de onda.
Entretanto, naquela época não existiam evidências experimentais suficientes para convencer a comunidade científica. Como Newton possuía enorme prestígio, sua teoria permaneceu dominante por mais de um século.
No início do século XIX, diversos experimentos começaram a mostrar limitações da teoria corpuscular.
O mais famoso foi realizado pelo físico inglês Thomas Young, em 1801.
Utilizando duas pequenas fendas, Young observou um padrão de franjas claras e escuras conhecido como interferência. Esse fenômeno só pode ser explicado supondo que a luz possua comportamento ondulatório.
Posteriormente, o físico francês Augustin Fresnel desenvolveu uma teoria matemática completa para a propagação das ondas luminosas e demonstrou que fenômenos como a difração e a interferência eram consequências naturais da natureza ondulatória da luz.
Esses resultados consolidaram a teoria das ondas luminosas durante o século XIX.
Em 1864, o físico escocês James Clerk Maxwell publicou uma das maiores realizações da Física.
A partir de suas equações, demonstrou que campos elétricos e magnéticos variáveis propagam-se pelo espaço na forma de ondas eletromagnéticas.
Ao calcular a velocidade dessas ondas, encontrou exatamente o mesmo valor conhecido para a velocidade da luz no vácuo:
ou, aproximadamente,
Essa coincidência levou Maxwell a uma conclusão revolucionária:
A luz é uma onda eletromagnética.
Anos depois, em 1887, o físico alemão Heinrich Hertz produziu e detectou ondas eletromagnéticas em laboratório, confirmando experimentalmente a teoria de Maxwell.
Essa descoberta unificou os fenômenos da eletricidade, do magnetismo e da óptica em uma única teoria física.
Toda onda é caracterizada por três grandezas fundamentais.
É a distância entre dois pontos consecutivos que vibram em fase, como duas cristas sucessivas.
Sua unidade no Sistema Internacional é o metro (m).
Representa o número de oscilações realizadas pela onda em um segundo.
Sua unidade é o hertz (Hz).
Corresponde à velocidade com que a onda se desloca no meio.
Essas grandezas estão relacionadas pela expressão:
Essa relação mostra que, em um mesmo meio, quanto maior for a frequência, menor será o comprimento de onda, e vice-versa.
Quando a luz passa de um meio para outro, sua frequência permanece constante, mas sua velocidade e seu comprimento de onda sofrem alterações.
A luz visível corresponde apenas a uma pequena faixa de todo o espectro eletromagnético.
Esse espectro é composto por diferentes tipos de radiação, classificados de acordo com seus comprimentos de onda e frequências.
Em ordem crescente de frequência, encontramos:
No vácuo, todas essas radiações propagam-se exatamente com a mesma velocidade:
O que diferencia cada uma delas é apenas sua frequência ou, de forma equivalente, seu comprimento de onda.
A região visível ocupa aproximadamente o intervalo entre:
O comprimento de onda de aproximadamente 380 nm corresponde à cor violeta, enquanto cerca de 750 nm corresponde à cor vermelha.
Fora dessa estreita faixa existem radiações invisíveis aos olhos humanos, mas amplamente utilizadas em medicina, telecomunicações, astronomia, indústria e inúmeras aplicações tecnológicas.